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SAF: o que é, o que muda no Brasil e como entra na estratégia ESG das Viagens Corporativas

Há uma linha no relatório de sustentabilidade de muitas empresas que concentra emissões relevantes, gera dúvidas sobre como endereçá-la e frequentemente aparece como um item de difícil gestão: as viagens corporativas no Escopo 3.

Essa dificuldade está prestes a ter uma resposta concreta — e ela tem nome: SAF, o combustível sustentável de aviação.

Para empresas que já reportam emissões, estão construindo suas metas de descarbonização ou precisam demonstrar compromisso real com ESG para stakeholders, investidores e clientes, o SAF deixou de ser um assunto do setor de energia e passou a ser uma alavanca direta de estratégia corporativa.

Este artigo explica o que é o SAF, o que mudou na regulação brasileira, como funciona o mecanismo de compra de certificados e o que sua empresa pode fazer agora.

O que é SAF e por que ele importa para além do setor aéreo

SAF é a sigla para Sustainable Aviation Fuel — combustível sustentável de aviação. Ao contrário do querosene de aviação convencional, derivado do petróleo, o SAF é produzido a partir de fontes renováveis: óleo de cozinha usado, cana-de-açúcar, resíduos agrícolas, gorduras animais e outras matérias-primas que, ao serem transformadas em combustível, geram uma pegada de carbono significativamente menor do que os combustíveis fósseis tradicionais.

O SAF não substitui completamente o querosene — ele é misturado a ele em diferentes proporções, dependendo da tecnologia disponível e das certificações aplicáveis. Mas mesmo em proporções menores, o impacto na redução de CO2 é mensurável e certificável.

É exatamente aí que o SAF se torna relevante para empresas que não são do setor aéreo: pela possibilidade de quantificar, certificar e contabilizar a redução de emissões associada ao combustível — conectando diretamente com as obrigações de reporte e as metas de descarbonização do mercado corporativo.

O que mudou na regulação brasileira: o decreto que coloca o SAF no centro da agenda

Em agosto de 2026, o Brasil deu um passo regulatório significativo: foi assinado o decreto que integra a Lei do Combustível do Futuro e estabelece o mandato de uso de SAF na aviação doméstica brasileira.

Os marcos definidos pela regulação são:

  • A partir de 2027: início da obrigatoriedade de uso de SAF pela aviação doméstica brasileira
  • Até 2037: meta de atingir pelo menos 10% do consumo de combustível do setor com SAF

Um detalhe importante diferencia esse mandato dos programas de biocombustível já existentes no Brasil, como o do etanol e do biodiesel: o mandato de SAF não é volumétrico. Ele não mede simplesmente quanto combustível sustentável foi misturado ao querosene — ele é medido pela descarbonização efetiva promovida pelo combustível. Isso representa uma mudança de lógica relevante: o foco é no resultado ambiental, não apenas no volume físico do produto.

O movimento já é concreto nas operações das companhias aéreas brasileiras. A LATAM operou seu primeiro voo abastecido com SAF em julho de 2026, partindo de Fortaleza, e anunciou a meta de alcançar pelo menos 5% de uso do combustível até 2030 — cinco anos antes do prazo regulatório nacional.

O mecanismo Book & Claim: como empresas podem comprar SAF sem que o avião use o combustível fisicamente

Aqui está o ponto que mais interessa a quem lidera estratégia de ESG e gestão de viagens corporativas — e que ainda é pouco compreendido fora do setor especializado.

O decreto brasileiro criou, junto com o mandato de uso, o modelo Book & Claim para o SAF. Esse mecanismo separa o combustível físico do seu atributo ambiental — e essa separação muda completamente a forma como empresas podem usar o SAF na sua estratégia de descarbonização.

Na prática, funciona assim:

Uma companhia aérea produz ou adquire SAF e o usa em suas operações. Ao fazê-lo, ela gera certificados de atributo ambiental — documentos rastreáveis que comprovam a redução de emissões associada àquele combustível. Esses certificados podem ser vendidos separadamente para empresas que queiram contabilizar a redução de carbono em suas operações.

Uma empresa que compra esses certificados pode registrar a redução de emissões correspondente no seu inventário de carbono — mesmo que o avião que transportou seus colaboradores tenha sido abastecido com querosene convencional.

Isso não é um artifício contábil questionável. É um mecanismo reconhecido internacionalmente, com estrutura de rastreabilidade e auditoria, que permite escalar o mercado de SAF antes que a infraestrutura de produção e distribuição física do combustível atinja o volume necessário para abastecer toda a aviação global.

Para empresas que já reportam emissões de Escopo 3 — categoria que inclui viagens corporativas, entre outras fontes indiretas — o Book & Claim com SAF é uma das poucas ferramentas concretas disponíveis hoje para reduzir essa linha do inventário de forma certificada.

SAF e Escopo 3: entendendo a conexão que importa para o seu relatório de sustentabilidade

O Protocolo GHG (Greenhouse Gas Protocol), que define o padrão mais amplamente adotado para inventários corporativos de emissões, divide as fontes em três escopos:

  • Escopo 1: emissões diretas da empresa (frotas próprias, processos industriais)
  • Escopo 2: emissões indiretas relacionadas à energia consumida (eletricidade, calor)
  • Escopo 3: todas as demais emissões indiretas ao longo da cadeia de valor

As viagens corporativas se enquadram no Escopo 3 — especificamente na categoria 6 do protocolo, que cobre deslocamentos a trabalho de colaboradores. Para empresas com equipes que viajam com frequência, essa categoria pode representar uma parcela significativa do total de emissões do inventário.

O desafio do Escopo 3 é conhecido por quem trabalha com sustentabilidade corporativa: diferente dos Escopos 1 e 2, onde a empresa tem controle direto sobre a fonte de emissão, o Escopo 3 depende de terceiros — companhias aéreas, hotéis, fornecedores de transporte. Isso torna a redução mais complexa e as alternativas mais limitadas.

O SAF via Book & Claim resolve exatamente esse problema. Ao comprar certificados de SAF associados às rotas utilizadas pelos colaboradores, a empresa pode registrar uma redução real e auditável nas suas emissões de Escopo 3 — com a rastreabilidade e a credibilidade que os padrões internacionais de reporte exigem.

Quem já está usando SAF como alavanca de ESG

O movimento não é apenas regulatório — é de mercado. Empresas de diferentes setores ao redor do mundo já incluem SAF nas suas estratégias de descarbonização como uma resposta concreta às pressões de investidores, clientes e reguladores por compromissos verificáveis.

No Brasil, o cenário está em construção — mas a regulação de 2026 cria o ambiente necessário para que o mercado corporativo de SAF se desenvolva de forma estruturada. O mandato gera a demanda base. O Book & Claim cria o mecanismo de acesso para empresas fora do setor aéreo. E as metas progressivas das companhias aéreas sinalizam que a oferta de certificados vai crescer.

Para as empresas que saírem na frente — incluindo SAF nas suas estratégias de ESG antes que vire obrigação ou expectativa generalizada do mercado — há um diferencial real de posicionamento: compromisso verificável, não apenas declarado.

O que sua empresa precisa avaliar para incluir SAF na estratégia de ESG

A decisão de incorporar SAF na estratégia de sustentabilidade corporativa passa por algumas perguntas práticas:

Sua empresa já reporta emissões de Escopo 3?
Se sim, as viagens corporativas já estão no inventário. A pergunta é: qual é o volume e qual é a meta de redução? O SAF pode endereçar diretamente essa linha.

Qual é o volume de viagens aéreas da sua equipe?
Empresas com alto volume de deslocamentos têm mais a ganhar com a compra de certificados de SAF — tanto em impacto real de redução quanto em relevância para o relatório de sustentabilidade.

Quais são as exigências dos seus stakeholders e investidores?
ESG deixou de ser pauta de voluntarismo e passou a ser critério de avaliação por parte de fundos, investidores institucionais e clientes corporativos de grande porte. Ter uma estratégia de redução de Escopo 3 com instrumentos verificáveis responde diretamente a essas demandas.

Sua política de viagens corporativas contempla critérios de sustentabilidade?
A inclusão de SAF na estratégia de ESG requer que a gestão de viagens corporativas esteja alinhada com a área de sustentabilidade. Isso significa que a agência responsável pelas viagens precisa ser uma parceira ativa nessa construção — não apenas uma operadora de reservas.

O papel da gestão de viagens corporativas nessa equação

A compra de certificados de SAF não acontece de forma independente da gestão de viagens. Para que o mecanismo funcione corretamente — com rastreabilidade, certificação adequada e impacto real no inventário de emissões — é necessário que haja alinhamento entre o volume e as rotas das viagens corporativas, os certificados adquiridos e o processo de reporte.

Uma gestora de viagens corporativas especializada tem condições de mapear as emissões associadas ao programa de viagens da empresa, identificar as rotas de maior impacto, orientar sobre os certificados disponíveis no mercado e integrar essa informação ao relatório de sustentabilidade.

Na TP Corporate, já acompanhamos de perto a evolução do mercado de SAF no Brasil e estamos preparados para apoiar nossos clientes na construção de uma estratégia de viagens corporativas alinhada às metas de ESG — com dados, certificação e visão de longo prazo.

Porque gerenciar viagens corporativas, hoje, significa também gerenciar o impacto que elas geram. E o SAF é uma das ferramentas mais concretas disponíveis para fazer isso de forma verificável.

Quer entender como incluir SAF na estratégia de ESG da sua empresa e reduzir as emissões de Escopo 3 das viagens corporativas?

Fale com a equipe TP Corporate.

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