O viajante corporativo mudou. O seu programa de viagens já sabe disso?
Existe uma distância crescente entre o perfil do executivo que embarca hoje e a política de viagens que a maioria das empresas construiu há cinco anos. Essa distância não é opinião. É dado. E os números do primeiro semestre de 2026 tornam essa realidade impossível de ignorar para qualquer gestor que pensa mobilidade corporativa com seriedade.
O viajante corporativo de 2026 não é o mesmo de 2019. Não tem as mesmas expectativas, não aceita os mesmos padrões e não responde da mesma forma aos programas de gestão que funcionavam antes da pandemia. Entender o que mudou no comportamento desse profissional é o primeiro passo para construir um programa de viagens que entrega resultado de negócio, não apenas logística.
O que os dados do primeiro semestre revelam
O indicador mais expressivo do momento atual vem do relatório da Navan publicado em julho de 2026: o volume de viagens corporativas cresceu 13,5% no primeiro semestre, enquanto o turismo de lazer ficou praticamente estagnado, com alta de apenas 0,5% no mesmo período, segundo dados de volume de passageiros da TSA. A diferença de 68 pontos percentuais entre os dois segmentos é a maior já registrada desde o início do monitoramento.
Esse dado conta uma história importante: enquanto o consumidor comum ainda hesita ou prioriza outros gastos, as empresas estão viajando mais, e de forma cada vez mais intencional. Não se viaja por hábito. Viaja-se por estratégia.
O setor de serviços profissionais lidera esse crescimento com 44,6% de expansão ano a ano, segundo o mesmo relatório, puxado principalmente pelo universo de tecnologia e inteligência artificial. O setor público registrou 28,5% de crescimento. Esses números refletem um mercado que entende, na prática, que certos negócios só avançam com presença física, e está disposto a investir nisso.
No plano global, a GBTA projeta que o mercado de viagens corporativas alcançará 1,62 trilhão de dólares em 2026, um novo recorde histórico e a primeira vez que o setor supera os níveis pré-pandemia de 2019. A IATA, por sua vez, projeta crescimento de 7% no volume gerenciado de viagens corporativas, com a América do Norte e as rotas transatlânticas liderando a recuperação.
A virada na cabine: o executivo que não abre mão de qualidade
Um dos dados mais reveladores sobre a mudança de comportamento do viajante corporativo está na demanda por cabines premium. Segundo a IATA, a participação da classe executiva nos gastos corporativos deve subir de 38% em 2024 para 43% em 2026, uma mudança estrutural que não é apenas preferência individual, mas reflexo de uma revisão formal nas políticas de viagem das grandes multinacionais.
Os yields das cabines premium subiram 8,3% ano a ano em 2025, o terceiro ano consecutivo de crescimento acima do desempenho das cabines econômicas. Nas rotas transatlânticas, a ocupação da classe executiva se manteve acima de 84% ao longo dos últimos quatro trimestres, um nível que historicamente sustenta crescimento de receita em duplo dígito para as companhias aéreas.
O que esse dado comunica para o mercado corporativo é claro: o executivo de alto desempenho não está disposto a chegar a uma reunião importante em Frankfurt ou Nova York exausto por uma noite em cabine econômica. E as empresas que entenderam isso estão ajustando suas políticas, não porque querem gastar mais, mas porque entenderam que o custo de um executivo improdutivo no destino é maior do que o delta tarifário entre as cabines.
O fenômeno bleisure: quando a fronteira entre trabalho e vida pessoal some a bordo
O comportamento que mais transformou a gestão de viagens corporativas nos últimos anos tem nome em inglês que ainda soa estranho em muitas reuniões de RH no Brasil: bleisure. A combinação de business e leisure — viagem de negócio com extensão de lazer — deixou de ser tendência emergente e se tornou realidade estrutural do mercado.
Os dados são expressivos. Segundo levantamento da Navan com a Skift, 60% das viagens corporativas em 2026 incluem pelo menos um dia de extensão pessoal. A GBTA aponta que 43% dos programas de viagem corporativa já têm políticas formais de bleisure, número que era próximo de zero há poucos anos. E 73% dos profissionais que viajam a negócios enxergam a possibilidade de extensão pessoal como um benefício corporativo relevante, segundo pesquisa da Navan.
Entre os executivos C-Level, o dado é ainda mais contundente: mais de 73% já viajaram com familiares em viagens corporativas estendidas, segundo a mesma fonte.
Esse comportamento não é capricho. É resposta a uma realidade que os dados de bem-estar corporativo confirmam: 83% dos trabalhadores relatam algum grau de burnout em 2026, segundo levantamento da DHR Global. A viagem de negócios que permite uma janela de recuperação pessoal não é um custo adicional, é uma ferramenta de saúde e produtividade.
Para o gestor de viagens, isso significa uma coisa concreta: a política que não contempla flexibilidade de extensão pessoal está perdendo em dois fronts simultaneamente, na satisfação do viajante e na capacidade de reter talentos que hoje escolhem empregadores com base, entre outros fatores, na qualidade do programa de viagens que oferecem.
A mobilidade como critério de atração e retenção de talentos
Esse último ponto merece atenção especial porque muda o enquadramento estratégico do programa de viagens corporativas de forma definitiva.
Dados de 2026 mostram que 59% dos profissionais da Geração Z e 65% dos millennials escolhem ativamente trabalhar em empresas que oferecem flexibilidade e oportunidades de viagem com possibilidade de extensão pessoal. Não é um diferencial secundário. É um critério de decisão no momento da oferta de emprego.
Quando um programa de viagens corporativas é bem estruturado, com política clara, parceiros confiáveis, flexibilidade compatível com o perfil do viajante e suporte real em qualquer situação, ele deixa de ser infraestrutura operacional e passa a ser argumento de employer branding. É o tipo de ativo que aparece nas conversas de recrutamento e que impacta a decisão de ficar ou sair.
O que os dados revelam sobre o futuro próximo
A leitura do primeiro semestre aponta para algumas tendências que já se consolidam e que devem orientar as decisões de gestão de viagens para os próximos ciclos.
A primeira é a aceleração do uso de inteligência artificial na gestão de programas de viagem. A GBTA aponta que 87% dos gestores de viagens corporativas esperam usar IA em seus programas nos próximos três anos, para personalização de recomendações, antecipação de riscos, otimização tarifária e automação de aprovações.
A segunda é o crescimento do modelo de acomodação flexível. Dados da GBTA apontam que apartamentos com serviços e acomodações do modelo Airbnb ganham espaço entre viajantes corporativos em estadias mais longas, especialmente em deslocamentos regionais. A definição de hospedagem preferencial está sendo revisada em muitos programas.
A terceira é o avanço do compliance como alavanca de economia. Programas com mais de 80% de taxa de aprovação prévia de viagens gastam 13,4% menos por deslocamento do que programas com menos de 60% de compliance, segundo estudo da BCD Travel de 2025. A conformidade com a política não é burocracia, é eficiência financeira mensurável.
E a quarta tendência é a consolidação do bem-estar como critério operacional, não apenas retórico. Qualidade do sono, janelas de desconexão digital, flexibilidade para recuperação pessoal, esses elementos estão migrando da categoria de benefício premium para a categoria de expectativa-padrão do viajante corporativo de alto desempenho.
O que fazer com essa informação agora
Dados sem decisão são apenas estatística. A pergunta que o gestor de viagens precisa fazer ao olhar para esse cenário não é “interessante, né?”, é “o que precisamos mudar no nosso programa para estar alinhados com esse viajante?”
A resposta começa com um diagnóstico honesto: a política de viagens da sua empresa foi revisada nos últimos 12 meses? Ela contempla flexibilidade de extensão pessoal? Ela define padrões de cabine compatíveis com o perfil e o nível de exigência dos seus executivos? Ela usa dados para otimizar decisões ou ainda opera no modo reativo?
Essas não são perguntas retóricas. São o ponto de partida para transformar um programa de viagens corporativas de custo operacional em vantagem competitiva real.
A TP Corporate monitora as transformações do mercado global de viagens corporativas e traduz esses dados em decisões práticas para os programas que gerenciamos.
Fale com a nossa equipe e descubra como estruturar um programa de viagens alinhado ao viajante corporativo de 2026.
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(Fontes: Navan Business Travel Benchmark H1 2026; GBTA / Engine Global Business Travel Forecast 2026; IATA Corporate Travel Outlook 2026; BCD Travel Industry Report 2025; Morgan Stanley Corporate Travel Survey 2026; DHR Global / Metaintro Burnout Report 2026; TSA Passenger Volume Data 2026.)



